27 de outubro de 2021

Bahia Política

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Exclusivo: “gabinete paralelo” levava dados da Prevent Senior para o governo federal – Metrópoles


18/09/2021 4:45,atualizado 18/09/2021 16:32
O protocolo usado pela operadora de saúde Prevent Senior para administrar medicamentos sem eficácia comprovada contra a Covid-19 em pacientes teve acompanhamento do governo federal. É o que mostra vídeo obtido pelo Metrópoles. A gravação também revela que o “kit Covid” distribuído pela empresa foi desenvolvido com a ajuda de pelo menos um membro do “gabinete paralelo”, que aconselhou o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na condução da pandemia. Na última quinta-feira (17/9), foi revelado um dossiê enviado à CPI da Covid-19 que acusa a rede de hospitais de ocultar o número de mortes em um estudo com hidroxicloroquina.
As imagens do vídeo mostram uma conversa entre o virologista Paolo Zanotto e Pedro Batista Jr, diretor-executivo da Prevent Senior. Zanotto é o cientista da USP que aparece em uma reunião, também revelada pelo Metrópoles, sugerindo a criação de um “Shadow Board” (gabinete das sombras) ao presidente Jair Bolsonaro e fazendo série de restrições a vacinas.

Na conversa, que aconteceu em maio de 2020, o virologista cita dois colegas também apontados como integrantes do gabinete paralelo: Nise Yamaguchi e Luciano Azevedo. Os três são investigados pela CPI da Pandemia e foram citados por Arthur Weintraub, então assessor especial da Presidência, como os médicos de referência do presidente Jair Bolsonaro sobre a Covid-19.
“Eles estão em Brasília neste momento e estão conversando com o alto escalão do governo brasileiro. Eles estão acompanhando isso, o Pedro sabe, muito mais perto do que vocês imaginam”, diz Zanotto, dirigindo-se ao diretor da operadora de planos de saúde.
O virologista também afirma que um dos integrantes do grupo agiu como uma espécie de intermediador entre o Palácio do Planalto e a empresa. “A gente fez um arrazoado de dados do Pedro, Luciano visitou o Pedro, olhou tudo aquilo, trouxe para esse grupo informações impressionantes. Existe um entendimento muito interessante entre a Prevent Senior e o governo federal brasileiro.”
A informação é confirmada pelo dirigente da operadora. “A gente compartilha o tempo inteiro o trabalho que está sendo feito. Eles vieram aqui e coletaram nossas informações. O doutor Luciano, a doutora Nise e o doutor Zanotto”, conta Batista Jr.
Em outro trecho, Zanotto diz que ajudou a desenvolver o protocolo utilizado pela operadora especializada no atendimento de idosos. “Não fui eu que descobri, eu só ajudei a redação e a fazer um sumário”, assinala. “O ovo de Colombo está saindo da Prevent.”
Em um momento da conversa, o virologista dá risada de uma possível superdosagem de zinco na hora de revisar um dos protocolos no qual a Prevent Senior se baseou: “Quando a gente estava olhando a questão do uso do zinco, a gente achou que tinha um erro tipográfico. Alguns dos protocolos que fomos comparar tinham 220mg. A gente ficou muito preocupado com isso, porque a dose recomendada é no máximo 20mg”.
Em seguida, o virologista cita o protocolo de Vladimir Zelenko, um cientista ucraniano defensor da hidroxicloroquina e que recomendava dar uma dose 10 vezes maior que a recomendável aos pacientes. “Ele estava comentando que está administrando 220 mg. É impressionante essa quantidade”, diz Zanotto.
Em uma live realizada em abril pelo canal bolsonarista Crítica Nacional, outra suposta integrante do gabinete paralelo, Nise Yamaguchi, aparece juntamente com a diretoria da Prevent Senior.
Na transmissão ao vivo, Pedro Batista assume que a operadora de saúde fez a entrega de medicamentos do chamado “kit Covid” na casa de usuários do plano. “Em casos específicos, o grupo clínico está definindo o tratamento e alguns pacientes, antes de desenvolver sintomas mais agravados, recebem em domicílio.”
Aparentando ter informações privilegiadas, Nise Yamaguchi comemora uma mudança na produção de medicamentos por parte do Exército: “A produção das Forças Armadas é fundamentalmente de cloroquina, mas já temos informações de que vai estar vindo uma quantidade significativa de sal de hidroxicloroquina que vai permitir que esse remédio seja produzido”.
“A gente fica muito feliz de ouvir que tem uma força governamental na questão da produção da cloroquina”, reagiu um dos diretores da Prevent Senior. Nos meses seguintes, o medicamento seguiu sendo defendido pelo presidente Jair Bolsonaro e vários outros por membros do governo.
Após a publicação da reportagem, a Prevent Senior enviou nota na qual diz que “nunca houve entendimento nem qualquer tipo de relação política da empresa com o governo”.
“Nunca houve entendimento nem qualquer tipo de relação política da empresa com o governo. Durante a pandemia, médicos da empresa participaram de videoconferência com especialistas de diversas organizações do País e do Exterior”, diz o comunicado.
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