6 de dezembro de 2021

Bahia Política

Sem Meias Verdades

Projeto Amor que Absorve distribui absorventes em Feira de Santana

Foto; reprodução (Joaquim Neto/ Bom Dia Feira)

Tramita na Câmara Municipal, um projeto de lei de autoria do vereador Galeguinho SPA, que tem como objetivo o combate ao caso após veto do presidente Jair Bolsonaro para a distribuição gratuita de absorventes.

O veto do presidente Jair Bolsonaro para a distribuição gratuita de absorventes trouxe novamente ao debate o conceito de “pobreza menstrual”.

De acordo com a Unicef, a situação é vivenciada por meninas e mulheres devido à falta de acesso a recursos, infraestrutura e conhecimento para que tenham plena capacidade de cuidar da sua menstruação. Dados da Organização das Nações Unidas (ONU), no Brasil, indicam que 25% das meninas entre 12 e 19 anos deixaram de ir à aula alguma vez por não ter absorventes.

Em Feira de Santana, tramita na Câmara Municipal, um projeto de lei de autoria do vereador Galeguinho SPA, que tem como objetivo combater a pobreza ou precariedade menstrual entre as estudantes.

‘A pobreza menstrual é um grande tabu que precisamos quebrar urgentemente. O projeto foi tramitado no mês de agosto, devido a pesquisas feitas, relatos de pessoas que vivenciaram o fato, presenciei com minhas irmãs, minha mãe, problema que afeta milhões de brasileiras, só na minha casa foram cinco. A gente quando compara a população de baixa renda, as pessoas que vivem em vulnerabilidade, presidiárias, moradoras de rua, mas estamos visando os estudantes, sabemos que 25% deixam de ir ao colégio porque não tem condições de comprar absorvente, se políticas publicas dessem condições para que esses alunos se sintam mais segurar para irem aos colégios, mulheres utilizam panos e mais artefatos para substituir o absorvente, o que meche com o psicológico da mulher, além das questões de saúde. Assim como existem recursos destinados a compra e campanha do preservativo, deveriam existir para essa situação. Vivemos em um país em que 90% da população é pobre e quando a gente tira 15-20 reais para comprar absorvente, deixa de colocar comida em casa’, defende o edil.

O fato deu ênfase também para a necessidade de acolhimento às estudantes de baixa renda de escolas públicas e pessoas em situação de rua ou de vulnerabilidade extrema em relação a este assunto. Foi pensando nisso que três estudantes feirenses idealizaram o Amor que Absorve, programa sem fins lucrativos que promove ações visando diminuir a pobreza menstrual na cidade.

‘Neste mês, em comemoração ao Outubro Rosa, doamos 300 kits com 16 unidades cada um. A pobreza menstrual é um problema de saúde pública e precisa ser tratada com seriedade, assim como qualquer outro problema social. Isso contribui para a evasão escolar, muitas vezes por conta dessa vergonha que as meninas têm, essa problemática é muito grave e contribui para a desigualdade social e desigualdade de gênero no nosso país e no mundo como um todo’, afirma a cofundadora do projeto, Manuela Guedes.

De acordo com ela, desde a implantação da iniciativa, cerca de 10 mil absorventes já foram distribuídos em Feira.

‘Trabalhamos diretamente com três instituições que escolhemos a partir da seriedade e comprometimento em entregar os absorventes. Apesar do tabu, a menstruação não precisa ser algo que a gente tenha que ter nojo, o único sangue que não vem de violência é o da menstruação e é o que as pessoas mais têm nojo, não é compreensível, é um processo biológico, a gente precisa desmitificar e conversar sobre para conseguir desconstruir essa ideia de sujeira da menstruação. Pesquisas indicam que as mulheres usam entre 12 e 20 absorventes por ciclo, um custo bem alto, se a gente fizer o cálculo’, ressalta.

Para contribuir financeiramente com o projeto, a iniciativa tem o PIX: amorqueabsorve.br@gmail.com, e aceita doações de absorventes por meio de contato através do instagram: @amorqueabsorve.

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