Aldeia Hippie vira refúgio do tráfico em Arembepe

Foto: Ascom | PC

O que já foi um dos maiores símbolos da liberdade e da vida alternativa no Brasil, hoje vive sob medo e ameaça. A Aldeia Hippie de Arembepe, no Litoral Norte da Bahia, tem sido usada há pelo menos cinco anos como ponto estratégico pelo Comando Vermelho (CV). Moradores são coagidos a esconder armas e hospedar traficantes, sob ameaças constantes, segundo a Polícia Civil.

Localizada entre o mar e o Rio Capivara, a comunidade, que já recebeu ícones como Janis Joplin e Mick Jagger, agora convive com o terror. De acordo com o delegado Antônio Sena, da Delegacia de Homicídios de Camaçari, donos de pousadas eram obrigados a dar abrigo a criminosos, especialmente durante operações policiais. Quem se recusava era ameaçado de morte ou forçado a deixar o local.

As investigações se intensificaram após um triplo homicídio em 2023, quando três homens foram sequestrados em Arembepe e mortos em Parque Real, em Camaçari. O crime foi atribuído à disputa entre o CV e o Bonde do Maluco (BDM), que atua em áreas vizinhas. Desde então, dezenas de homicídios foram registrados na região, reflexo direto da atuação das facções.

Moradores relataram o impacto direto na economia local, principalmente no turismo, que já foi a principal fonte de renda da Aldeia Hippie. “Perdemos 90% dos visitantes”, contou um artesão, que vive da venda de peças feitas à mão. “Agora, só vem quem não sabe da situação”, completou. O clima de insegurança afastou turistas e mergulhou a comunidade em prejuízos.

Para o CV, a área tem valor estratégico: cercada por matas e de difícil acesso, permite esconderijos em locais como a Morada Ecológica, dificultando a ação policial. Segundo o delegado, drones têm sido usados para monitorar a área, já que o terreno impede a visualização direta. A prefeitura de Camaçari foi procurada, mas não respondeu até a publicação desta matéria.

Bahia Política

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