Bahia lidera letalidade policial e bate recorde de mortes em 2024

Bahia lidera letalidade policial com 1.556 mortes em 2024. Violência cresce 139% desde 2019 e atinge sobretudo jovens negros. Falhas na segurança persistem.

Foto: Reprodução

A Bahia registrou 1.556 mortes em ações policiais em 2024 e se consolidou como o estado mais letal do país. O número representa 38% de todas as mortes policiais dos nove estados avaliados. Desde 2021, o estado ultrapassa mil mortes por ano, com a maioria das vítimas sendo homens jovens e negros. O avanço da violência expõe uma política de segurança que não reduz o crime e mantém alto o número de inocentes mortos.

O crescimento da letalidade é expressivo. Desde 2019, as mortes aumentaram 139,4% na Bahia, enquanto estados como o Rio de Janeiro reduziram mais de 60%. Especialistas definem o cenário como uma urgência social. Eles destacam que o enfrentamento armado, sem inteligência e prevenção, transformou o estado em palco de uma guerra sem resultados. A desigualdade racial agrava o problema e evidencia um padrão de violência estrutural.

Os dados revelam que 95,7% dos mortos pela polícia baiana são negros, embora representem 79,7% da população. Além disso, a taxa de mortalidade entre negros chega a 11,5 por 100 mil habitantes. Entre brancos, é de apenas 2 por 100 mil. A violência atinge especialmente jovens de 18 a 29 anos, que representam 57% das vítimas, e avança entre adolescentes, com 297 mortos só em 2024.

O estado é governado pelo PT desde 2007, período marcado por promessas de inclusão social. No entanto, a segurança pública se tornou um dos maiores pontos de falha das gestões petistas. A falta de políticas preventivas, a expansão das facções e as operações mal planejadas ampliaram o medo nas comunidades. Segundo pesquisadores, as polícias atuam em “modo guerra” e sem integração com outras áreas do governo.

Enquanto o Rio de Janeiro adotou medidas como câmeras corporais e reduziu drasticamente suas mortes policiais, a Bahia permanece sem iniciativas estruturais. Recomendações sobre formação policial, saúde mental e controle externo seguem ignoradas. Dessa forma, o estado acumula recordes de letalidade, queda na confiança pública e nenhum avanço concreto após quase 20 anos de governo.

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