
A montadora chinesa BYD inaugura oficialmente nesta terça-feira (1º) sua fábrica de veículos elétricos e híbridos em Camaçari, na antiga planta da Ford. Apesar da grande expectativa, a produção nacional ainda será bastante limitada. Nesta primeira fase, os veículos chegarão da China quase prontos, em regime SKD (semidesmontado), sendo apenas finalizados no Brasil com pequenos ajustes.
O modelo inicial de operação gerou críticas de entidades do setor automotivo, que acusam a montadora de não estimular a cadeia de fornecedores nacionais. Cláudio Sahad, presidente do Sindipeças, e Igor Calvet, da Anfavea, apontam que a estratégia da BYD privilegia importações em vez de gerar empregos e desenvolver a indústria local. A GWM, concorrente chinesa, vem se movimentando de forma diferente, buscando parcerias com fornecedores brasileiros e prometendo nacionalizar inclusive baterias.
A situação ficou ainda mais tensa após a BYD solicitar ao governo federal a redução das alíquotas de importação para os regimes SKD e CKD. O pedido desagradou às associações do setor, que consideram a medida prejudicial à indústria nacional. A BYD quer limitar a 10% o imposto sobre híbridos e a 5% sobre elétricos, mesmo nas modalidades desmontadas, o que representa um alívio tributário em relação às regras atuais.
Além da polêmica fiscal, a montadora também enfrenta um desgaste por suspeitas de irregularidades trabalhistas. Empresas terceirizadas envolvidas na construção da fábrica foram alvo de investigação do Ministério Público do Trabalho, por indícios de trabalho escravo e tráfico de pessoas. A empresa nega envolvimento direto e afirma seguir padrões internacionais de respeito aos direitos humanos e à legislação brasileira.
Mesmo com as controvérsias, a BYD segue em expansão no mercado nacional. Entre janeiro e maio deste ano, a marca conquistou 4,26% de participação, com mais de 39 mil unidades vendidas, ficando entre Honda e Nissan no ranking. O bom desempenho é comparável ao da Kia em 2011, quando o governo Dilma adotou barreiras contra importações. Agora, com uma fábrica instalada, o contexto é diferente — e o futuro da produção nacional da BYD ainda está em aberto.
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