
A Nova Rodoviária de Salvador começou a operar em Águas Claras com estrutura moderna e integração ao metrô. No entanto, a mudança acendeu um alerta social. A transferência encerra um ciclo econômico que sustentou, por décadas, comerciantes informais e permissionários da antiga rodoviária, na Avenida ACM, agora ameaçados pelo esvaziamento do espaço.
Durante anos, o antigo terminal foi mais do que um ponto de embarque. Ele funcionou como polo de geração de renda para camelôs, lanchonetes populares e pequenas lojas. Com a migração dos ônibus, o fluxo de pessoas caiu drasticamente. Como resultado, trabalhadores temem perder sua principal fonte de sustento em poucos meses.
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Miguel Pacheco, comerciante há 30 anos na passarela da rodoviária, resume o sentimento de incerteza. Segundo ele, o local corre o risco de virar um espaço abandonado, a exemplo da Barroquinha. O vendedor afirma que construiu sua vida ali e agora não sabe como irá manter a família.
Situação semelhante vive Ceará, dono de uma lanchonete popular próxima à entrada do terminal antigo. Ele destaca que atendia passageiros com pouco dinheiro, oferecendo refeições acessíveis. Para ele, a nova rodoviária limita o contato com o comércio informal e favorece apenas grandes redes, afastando consumidores de baixa renda.
Dentro do antigo prédio, o clima foi de despedida. Restaurantes e lojas encerraram atividades por não conseguirem arcar com os custos exigidos no novo terminal. Alguns comerciantes afirmam que os valores cobrados se assemelham aos de shoppings centers, tornando a permanência inviável para pequenos negócios.
A concessionária Sinart informou que cerca de 90% dos permissionários demonstraram interesse em migrar, mas nem todos conseguiram se adequar. Enquanto isso, a nova rodoviária opera com estrutura pronta, porém com lojas fechadas e serviços comerciais incompletos. A modernização avança, mas a inclusão social segue como desafio.
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