Crise no STF: caso Master pode sair das mãos de Toffoli

STF discute devolver investigação do caso Master à primeira instância para conter crise institucional e reduzir desgaste envolvendo o ministro Dias Toffoli.

Foto: Andressa Anholete/STF

O Supremo Tribunal Federal discute internamente uma alternativa para reduzir o desgaste institucional provocado pelos desdobramentos do caso Master. Ministros da Corte passaram a defender o envio da investigação de volta à primeira instância como uma forma de retirar o STF do centro da crise e oferecer uma saída considerada “honrosa” ao ministro Dias Toffoli, relator do caso.

Toffoli, porém, resiste a abrir mão da condução das apurações. Ele enfrenta crescente pressão interna por decisões adotadas ao longo do inquérito, especialmente pelo rígido regime de sigilo imposto ao processo. Além disso, episódios externos ampliaram o desconforto entre os pares e fora da Corte.

Entre os pontos que alimentaram as críticas estão uma viagem em jatinho com um dos advogados ligados ao caso e negócios que associam familiares do ministro a um fundo de investimentos com vínculos ao Banco Master. Esses fatos passaram a ser explorados publicamente e intensificaram as alegações de suspeição.

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A operação Compliance Zero teve início na Justiça Federal em Brasília, mas chegou ao STF após a Polícia Federal apreender um documento que cita o deputado João Carlos Bacelar (PL-BA), que possui foro privilegiado. Posteriormente, uma segunda investigação, originada na Justiça Federal de São Paulo, também foi remetida ao Supremo e embasou a nova fase da operação, deflagrada no último dia 14.

Apesar disso, investigadores afirmam que não há, até o momento, indícios de envolvimento de Bacelar nas supostas fraudes bancárias. O parlamentar sustenta que participou apenas de um fundo imobiliário para a construção de um condomínio na Bahia e que uma possível negociação com Daniel Vorcaro, dono do Master, não avançou.

Diante desse cenário, uma ala do STF avalia que Toffoli poderia usar a ausência de provas contra o deputado para devolver os autos ao primeiro grau. Com isso, o Supremo sairia do foco da crise, os atos já praticados permaneceriam válidos e a investigação seguiria normalmente na Justiça Federal, sem necessidade de reinício.

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