Facção citada por Trump já atua em 6 estados do Brasil

Facção venezuelana Tren de Aragua, citada por Trump, já atua em seis estados do Brasil e mantém alianças com grupos criminosos locais.

Foto: Reprodução/Presidência de El Salvador/AFP

A facção criminosa venezuelana Tren de Aragua, citada pelo presidente dos Estados Unidos Donald Trump, já possui integrantes atuando em pelo menos seis estados do Brasil. A maior concentração ocorre em Roraima, principal porta de entrada de imigrantes vindos da Venezuela.

Trump mencionou o grupo ao justificar a captura do líder venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, no último sábado (3/1). O suposto vínculo de Maduro com a facção é apontado como uma das motivações da ação conduzida por forças norte-americanas.

Atualmente, Maduro e Cilia estão detidos no Centro de Detenção Metropolitano, no Brooklyn, em Nova York. Um grande júri federal dos EUA indiciou o venezuelano por narcoterrorismo e tráfico internacional de drogas, com penas que podem chegar à prisão perpétua.

Segundo a acusação, Maduro teria comandado por mais de 20 anos uma estrutura criminosa dentro do Estado venezuelano. Além disso, o esquema usaria instituições públicas, forças de segurança e canais diplomáticos para enviar toneladas de cocaína aos Estados Unidos.

No Brasil, a Polícia Civil de Roraima aponta a presença de membros do Tren de Aragua também em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Em estados como São Paulo e Rio, o grupo já mantém alianças com o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho.

Além do tráfico de drogas e armas, a facção opera um esquema estruturado de tráfico de mulheres. As vítimas, em sua maioria venezuelanas em situação de extrema vulnerabilidade, são atraídas com promessas de melhores condições de vida no Brasil.

De acordo com investigações, as mulheres acabam exploradas sexualmente em casas controladas pela facção, acumulando dívidas impostas pelos criminosos. Em muitos casos, o vício em drogas agrava ainda mais a situação das vítimas.

Quando as dívidas não são quitadas, a violência se intensifica. No fim de 2024, a Polícia Civil localizou um cemitério clandestino do Tren de Aragua em Boa Vista, com dez corpos, incluindo mulheres com sinais de desmembramento.

O avanço da facção no Brasil acende um alerta para autoridades de segurança pública. O caso evidencia como o crime organizado transnacional tem ampliado sua atuação na região, explorando crises humanitárias e fragilidades nas fronteiras.

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