
Cerca de mil funcionários do Itaú foram demitidos nesta semana, em sua maioria localizados no estado de São Paulo, pegando os trabalhadores de surpresa. As demissões atingiram principalmente profissionais que atuavam em regime remoto ou híbrido, e, segundo o banco, foram motivadas por uma suposta baixa produtividade no home office. A medida gerou forte reação entre os bancários de todo o país, que alegam não ter recebido advertências prévias. O clima é de tensão e insegurança, especialmente entre os trabalhadores que ainda atuam remotamente.
A diretora da Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe, Luciana Dória, afirmou que as demissões atingiram funcionários da área de investimentos do Itaú e reforçou que o tema preocupa toda a categoria, já que os acordos sindicais são nacionais. Segundo ela, o receio é generalizado entre os empregados em home office, que agora temem novas demissões. Na Bahia, a maior parte dos bancários do Itaú ainda trabalha presencialmente, mas o impacto da medida foi sentido em todo o país.
Na última terça-feira (9), a Comissão de Organização dos Empregados (COE) se reuniu com representantes do Itaú e solicitou a revisão das demissões, mas o banco se comprometeu apenas a reavaliar os casos de trabalhadores adoecidos. Luciana Dória também criticou o fato de o Itaú não ter comunicado previamente os sindicatos sobre os desligamentos, contrariando o entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF), que no Tema 638 de repercussão geral, determina a participação sindical em casos de demissões em massa. Para a diretora, a postura do Itaú foi “arbitrária e desrespeitosa”.
Apesar de negar a ocorrência de uma demissão em massa, o Itaú alegou que os desligamentos resultam de uma “revisão criteriosa de condutas relacionadas ao trabalho remoto e ao registro de jornada”. No entanto, sindicatos e funcionários cobram mais transparência sobre os critérios utilizados, especialmente em relação à produtividade, conceito considerado subjetivo. Além das demissões, o Itaú também tem promovido o fechamento de agências físicas — somente em 2025, foram encerradas 130 unidades em todo o Brasil, incluindo três em Salvador, afetando 73 mil correntistas. O banco justifica essas ações pelo crescimento dos canais digitais.
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