
A Justiça argentina autorizou nesta terça-feira (17) que a ex-presidente Cristina Kirchner cumpra em casa a pena de seis anos por corrupção, confirmada recentemente pela Suprema Corte. Aos 72 anos, Cristina foi beneficiada pela legislação penal do país, que permite prisão domiciliar para pessoas acima dos 70 anos. Ela já se encontra em sua residência, em Buenos Aires, e não precisará mais se apresentar ao tribunal nesta quarta (18), como estava previsto.
Apesar do benefício, Cristina terá que usar tornozeleira eletrônica, permanecer em casa salvo autorização judicial e apresentar uma lista com os nomes de quem a visita. A decisão contrariou parecer dos promotores Diego Luciani e Sergio Mola, que recomendaram a rejeição do pedido. Outros réus no mesmo caso, como o ex-secretário de Obras José López, seguem presos em regime fechado.
Cristina foi condenada no caso Vialidad, que investiga contratos fraudulentos de obras públicas durante seus mandatos (2007–2015), favorecendo o empresário Lázaro Báez. A ex-presidente havia manifestado disposição para se apresentar à Justiça, criticando a “direita mafiosa” e afirmando que sempre cumpriu suas obrigações legais. Ela também citou o atentado que sofreu em 2022 e voltou a acusar a Justiça de perseguição política.
Com a confirmação da condenação, Cristina perdeu os direitos políticos e não poderá disputar as eleições legislativas previstas para setembro, salvo por eventual indulto presidencial. Ela planeja recorrer a instâncias internacionais, como a Comissão Interamericana de Direitos Humanos e o Tribunal Penal Internacional, alegando violação de direitos e perseguição.
Mesmo com a decisão pela prisão domiciliar, o Partido Justicialista manteve a mobilização de apoio. Apoiadores devem se concentrar em frente à casa da ex-presidente e marchar até os tribunais federais. A residência de Cristina se tornou ponto de manifestações diárias, com discursos e acenos da varanda, em meio a reforço na segurança e divisões políticas cada vez mais acirradas no país.
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