Lula deve evitar sancionar aumento de deputados

Foto: André Carvalho

O presidente Lula (PT) sinalizou que não pretende sancionar o projeto que aumenta o número de deputados federais de 513 para 531, aprovado pelo Congresso na semana passada. A avaliação dentro do governo é que a medida, considerada impopular, não deve ter o endosso do Executivo. Duas possibilidades estão em discussão: Lula pode vetar o texto ou simplesmente não se manifestar, deixando a promulgação a cargo do Congresso.

Aliados do presidente destacam que, com a popularidade em queda e o debate sobre ajuste de gastos em alta, sancionar o projeto poderia trazer desgaste político. Pesquisa Datafolha mostrou que 76% da população é contra o aumento no número de parlamentares. A proposta prevê um impacto de R$ 65 milhões por ano, considerando salários e estrutura para os novos deputados.

Apesar da pressão pelo veto, há quem defenda que Lula se abstenha da decisão, o que transferiria o ônus político integralmente ao Congresso. O gesto seria interpretado como uma resposta indireta ao Legislativo após a derrubada do decreto do IOF, que gerou atritos entre o Palácio do Planalto e a Câmara dos Deputados.

A proposta de aumento de cadeiras foi articulada como resposta a uma decisão do STF, que determinou uma readequação proporcional dos assentos com base nos dados do Censo de 2022. Para evitar a perda de cadeiras por alguns estados, o Congresso optou por criar 18 novas vagas, favorecendo estados como Pará, Santa Catarina, Amazonas, Mato Grosso, entre outros.

Lula criticou a condução da Câmara na recente crise com o IOF, acusando o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), de descumprir um acordo prévio. Apesar disso, o governo avalia cuidadosamente os próximos passos para evitar o agravamento das tensões entre os poderes, mantendo um equilíbrio político em meio à pressão de sua base e da opinião pública.

Bahia Política

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