
O adolescente Caíque dos Santos Reis, de 16 anos, foi morto durante uma ação da Polícia Militar no bairro de São Marcos, em Salvador, no último domingo (28). A mãe do jovem, Joselita dos Santos Cruz, e moradores da comunidade afirmam que Caíque obedeceu à ordem policial para levantar as mãos antes de ser baleado. Segundo ela, o filho não tinha envolvimento com a criminalidade e não possuía passagem pela polícia.
De acordo com o relato da mãe, após obedecer à ordem de rendição, o adolescente foi atingido na perna e levado para dentro de um beco, onde mais disparos foram feitos. Testemunhas confirmaram a versão e disseram ter visto os policiais dispararem contra o jovem. Em protesto, moradores interditaram um trecho da Avenida Gal Costa, queimaram objetos e pediram justiça. Algumas pessoas relataram ter sido atingidas por balas de borracha durante a manifestação.
Nas redes sociais, vídeos mostram os corpos sendo retirados desacordados do local pelos policiais, enrolados em lençóis, sob gritos de “assassinos”. A mãe de Caíque desabafou, afirmando que a polícia tentou apresentar o filho como traficante. “Eles tiraram a vida de uma criança. Todo mundo viu, tem filmagem, tem tudo”, declarou, emocionada.
Já a versão oficial da Polícia Militar aponta que as guarnições do Batalhão Gêmeos realizavam patrulhamento na região quando foram recebidas a tiros por suspeitos armados. Os policiais teriam revidado e, após o confronto, dois homens foram socorridos para o Hospital Geral Roberto Santos, mas não resistiram. A ocorrência também registrou a apreensão de uma pistola calibre 9mm, um revólver e porções de drogas.
Em nota, a corporação afirmou que as armas dos policiais foram apresentadas para perícia e que o caso está sendo acompanhado pela Corregedoria. O Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) instaurou investigação para apurar as circunstâncias da ação. A Polícia Militar disse ainda que a apuração será feita com “isenção e transparência”.
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