
A Polícia Federal revelou que parte do dinheiro desviado em contratos emergenciais durante a pandemia de Covid-19 no Tocantins teria sido usado na construção de uma pousada de luxo em Palmas. De acordo com os investigadores, cerca de R$ 2,4 milhões foram destinados à obra da Pousada Pedra Canga, localizada na Serra de Taquaruçu, em nome de Rérison Antônio Castro Leite, filho do governador afastado Wanderlei Barbosa (Republicanos).
A decisão de afastar o governador por seis meses foi tomada pelo ministro Mauro Campbell, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), e ainda será avaliada pelos demais ministros da Corte. Barbosa é apontado como suspeito de chefiar a organização criminosa que teria desviado recursos de contratos de fornecimento de alimentos durante a pandemia.
Segundo a PF, o envio de valores para a pousada começou em julho de 2022 e continuava até recentemente, totalizando mais de R$ 2,4 milhões. Entre as provas apresentadas está uma conversa interceptada entre Rérison e Marcos Martins Camilo, ex-chefe de gabinete do governador. No diálogo, o filho de Barbosa afirma que o pai não queria que o empreendimento fosse registrado em seu nome, o que para os investigadores caracteriza tentativa de ocultação de patrimônio.
Os contratos sob investigação envolvem a compra de ao menos 1,6 milhão de cestas básicas e frangos congelados, financiados por emendas parlamentares entre 2020 e 2021. Embora os pagamentos, que chegavam a quase R$ 5 milhões, tenham sido realizados, a PF suspeita que parte dos alimentos nunca foi entregue à população. As compras, feitas sem licitação devido ao decreto de emergência estadual, teriam sido fraudadas para favorecer o esquema.
De acordo com a investigação, os recursos desviados foram ocultados em empreendimentos de luxo, aquisição de cabeças de gado e despesas pessoais dos envolvidos. A pousada em nome do filho de Wanderlei Barbosa teria sido um dos principais destinos do dinheiro irregularmente movimentado.
Em nota, o governador afastado afirmou que respeita a decisão do STJ, mas a classificou como “precipitada”. Barbosa ressaltou que os contratos investigados foram firmados na gestão anterior, quando ele ainda era vice-governador e não ordenador de despesas. Disse ainda ter determinado auditoria pela Procuradoria-Geral do Estado e pela Controladoria-Geral, além de anunciar que tomará medidas jurídicas para reassumir o cargo e comprovar a legalidade de seus atos.
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