Prejuízo dos Correios dispara para R$ 3,1 bilhões

Estatal registra alta de 82,3% nas perdas e aposta em ajustes para recuperar equilíbrio financeiro.

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom / Agência Brasil

Os Correios encerraram o primeiro trimestre de 2026 com prejuízo de R$ 3,1 bilhões, segundo demonstrações financeiras aprovadas pelo Conselho de Administração da estatal. O resultado representa um aumento de 82,3% em relação ao mesmo período de 2025, quando a empresa registrou perdas de R$ 1,7 bilhão.

O balanço revela um cenário de forte pressão sobre as contas da companhia. Além disso, a receita com a prestação de serviços caiu de R$ 3,94 bilhões para R$ 3,85 bilhões entre os primeiros trimestres de 2025 e 2026. Ao mesmo tempo, as despesas operacionais e financeiras cresceram de forma significativa.

Custos avançam e ampliam déficit

As despesas gerais e administrativas saltaram de R$ 1,2 bilhão para R$ 2,2 bilhões no período. Enquanto isso, os custos financeiros avançaram de R$ 282 milhões para R$ 985 milhões, aumentando ainda mais o impacto negativo sobre o resultado da estatal.

De acordo com o relatório, a empresa enfrentou redução na demanda pelos serviços postais tradicionais. Além disso, o aumento dos custos operacionais, os reajustes salariais, o crescimento das despesas judiciais e a concorrência mais intensa no setor de encomendas e logística contribuíram para o agravamento do quadro financeiro.

Siga agora nosso Instagram e fique por dentro das principais notícias.

A estatal afirmou que enfrenta pressões relevantes sobre a geração de caixa e os resultados. Ainda assim, destacou que precisa manter uma ampla estrutura operacional em todo o país para cumprir a obrigação legal de prestação do serviço postal universal.

Plano de ajuste mira recuperação em 2027

Os números também reforçam uma sequência de resultados negativos observada nos últimos anos. Os Correios acumularam déficits de R$ 328 milhões em 2023, R$ 801 milhões em 2024, R$ 1,7 bilhão em 2025 e R$ 3,1 bilhões em 2026, demonstrando a deterioração gradual das contas da empresa.

Diante desse cenário, a estatal ampliou a execução do plano de reestruturação iniciado no fim de 2025. Entre as medidas adotadas estão o Plano de Demissão Voluntária (PDV), a revisão de contratos administrativos, a reformulação do plano de saúde dos funcionários, o fechamento de unidades consideradas deficitárias, a venda de imóveis e a captação de novos recursos financeiros. Dessa forma, a expectativa dos Correios é recuperar o equilíbrio fiscal e voltar a registrar superávit a partir de 2027.

Faça parte do Grupo Bahia Política no WhatsApp, se preferir entre em nosso canal no Telegram. Ouça também a nossa Rádio Bahia Política.