23 de fevereiro de 2024

Bahia Política

Sem meias verdades

Batismo para entrar no PCC tem até pergunta sobre relação homossexual

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O Primeiro Comando da Capital (PCC), famosa facção brasileira, conta com mais de 35 mil membros espalhados pelo país, segundo estimativa feita por investigadores. E para fazer parte do grupo, seus líderes aplicam um questionário no momento de “batismo” de cada possível novo integrante. Para fazer parte, é exigido envolvimento anterior com o mundo do crime e a indicação de um “padrinho” integrante que se responsabilize pelas condutas do “afilhado”. As informações são do Metrópoles.

Após declarar nome, apelido no crime, endereço e “três últimas faculdades”, ou seja, locais onde esteve preso, o aspirante deve responder “com total clareza” e “de forma verdadeira” a 11 perguntas elaboradas pelo comando (confira abaixo).

O questionário começa indagando se o postulante aceita “de corpo, alma e coração” o convite feito por um “irmão” para ingressar na facção. Também é perguntado se a pessoa leu o estatuto do PCC, para ter ciência da “disciplina e ideologia” da organização, que tem como principal fonte de receita o tráfico de drogas.

Outro item questiona se o interessado em entrar no PCC “já teve algum tipo de envolvimento com pessoa do mesmo sexo ou algum ato de homossexualismo [sic]”. O estatuto da facção proíbe estupradores, pedófilos e, durante muito tempo, proibiu homossexuais. Isso mudou recentemente, mas ainda é questionado antes do ingresso na facção.

Ainda segundo a reportagem, questionamentos sobre uso de “drogas proibidas” e participação em outros grupos criminosos também compõem a lista. Por fim, é perguntado se o criminoso está ciente sobre “as guerras” enfrentadas pelo PCC e quem são seus inimigos.

De acordo com informações do Metrópoles, se algum membro queira sair do PCC, só há um requisito para isso: a pessoa não pode mais continuar no crime. Na linguagem do crime, o desertor é chamado de “zé povinho”.

A proibição da prática de crimes ocorre pelo receio do PCC de que a pessoa desligada migre para o Comando Vermelho (CV), facção de origem carioca que disputa território com a organização criminosa paulista.

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Caso o “desertor” se envolva em alguma outra atividade criminosa, ele é submetido a um tribunal do crime, conhecido como tabuleiro entre os membros da facção. As punições podem oscilar de espancamentos a quebra de membros e morte. (Bnews)