
As investigações sobre o Banco Master avançam e colocam o ex-CEO da instituição, Augusto Lima, no centro de suspeitas de financiamento ilegal de políticos. Relatos obtidos durante as apurações indicam que Lima teria operado um esquema de pagamento de propina, com distribuição de malas de dinheiro na sede do banco, em São Paulo, ou por meio de empresas ligadas a agentes políticos.
Além disso, investigadores apontam que parte dos repasses teria passado por empresas registradas em nome de terceiros. Um dos caminhos do dinheiro, segundo a Polícia Federal, envolve uma firma atualmente ligada à esposa de um secretário estadual com conexões familiares com um cacique do PT.
Baiano, Augusto Lima construiu sua trajetória empresarial a partir de relações políticas na Bahia. Por isso, os investigadores analisam possíveis conexões regionais que teriam ajudado a ampliar a influência do Banco Master no estado.
Movimentações milionárias
Dados obtidos após a quebra de sigilo do banqueiro Daniel Vorcaro ajudam a dimensionar o volume de recursos envolvidos nas operações investigadas. Em 19/06/2023, Vorcaro recebeu cerca de R$ 3 milhões do empresário baiano Miguel Luiz Rosário Lorenzo.
Pouco depois, em 14/07/2023, uma empresa de Lorenzo, a MCR Patrimonial Ltda. transferiu outros R$ 30,6 milhões para Vorcaro. Segundo informações apuradas, o banqueiro atribuiu essas transações a negócios conduzidos por Augusto Lima.
Enquanto isso, relatórios do Coaf também revelaram que uma empresa do ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil) recebeu R$ 3,6 milhões do Banco Master e da Reag. Neto afirma que prestou serviços de consultoria para o banco.
Prisão e investigações
Augusto Lima foi preso na primeira fase da Operação Compliance Zero. Conhecido como Guga Lima, o empresário permaneceu detido por 11 dias, entre 18/11/2025 e 29/11/2025.
No entanto, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) determinou sua soltura. Ainda assim, a Justiça manteve o monitoramento por tornozeleira eletrônica enquanto as investigações continuam.
Além do Banco Master, Lima controla o Banco Pleno, que teve liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em fevereiro. Paralelamente, ele também atuou no mercado de crédito consignado, inclusive em operações investigadas pela CPMI do INSS.
Ainda nesse contexto, Lima ganhou projeção na Bahia após vencer, durante o governo de Rui Costa, uma licitação para explorar o CredCesta, cartão de pagamento para servidores públicos com desconto em folha. Dessa forma, o negócio impulsionou o crescimento do Banco Master e aproximou o empresário de lideranças políticas no estado.

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