
Mesmo enfrentando situação de emergência por estiagem ou chuvas intensas, diversos municípios baianos decidiram investir cifras milionárias na contratação de artistas para os festejos juninos. Senhor do Bonfim, Quijingue e Tucano estão entre as cidades que mais gastaram com programação musical, incluindo nomes como Nattanzinho, Banda Magníficos e Unha Pintada. Quijingue, por exemplo, quase quadruplicou os investimentos em relação ao ano anterior.
Com um dos piores PIBs da Bahia, Quijingue destinou R$ 5,2 milhões ao São João, valor significativamente superior aos pouco mais de R$ 1,3 milhão gastos no ano anterior. O município tem pouco mais de 25 mil habitantes e enfrenta problemas econômicos agravados pela seca, o que torna o gasto alvo de críticas. Tucano destinou R$ 4,29 milhões, enquanto Senhor do Bonfim desembolsou R$ 5,33 milhões.
Outros municípios em estado de emergência, como Belo Campo, Iaçu e Muquém do São Francisco, também aparecem na lista de grandes gastos. Belo Campo, por exemplo, investiu R$ 1,83 milhão nas atrações; já Iaçu, mesmo sob calamidade pública desde maio, vai gastar mais de R$ 2 milhões com artistas como Marcos e Belutti e Dorgival Dantas. Mucugê, destino turístico da Chapada Diamantina, também vai pagar R$ 1,86 milhão para 27 apresentações.
De acordo com a Norma Técnica Conjunta nº 001/2025, assinada pelo Ministério Público da Bahia, Tribunal de Contas do Estado e Tribunal de Contas dos Municípios, cidades em situação de emergência não podem usar recursos federais ou estaduais, destinados ao enfrentamento de calamidades, para bancar festas juninas. A recomendação também alerta contra o uso de suplementações orçamentárias com essa finalidade.
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