
A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (18/06/26), uma nova fase da Operação Compliance Zero e colocou o senador Jaques Wagner entre os alvos de mandados de busca e apreensão autorizados pelo Supremo Tribunal Federal. A investigação apura suspeitas relacionadas ao caso envolvendo o banco Master e também alcança empresários e pessoas ligadas ao parlamentar.
Além do senador, os agentes cumprem medidas contra o empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, bem como contra Eduardo Sodré Martins e Guilherme Henrique Sodré Martins, conhecido como Guiga.
Ao todo, a Polícia Federal executa 18 mandados de busca e apreensão nos estados da Bahia, São Paulo e no Distrito Federal. Enquanto isso, a decisão do STF também determina medidas cautelares, como restrições de contato entre investigados e suspensão de passaportes.
Investigações avançam sobre empresários e familiares
Augusto Lima já utilizava tornozeleira eletrônica por determinação judicial após ter sido alvo da primeira fase da Operação Compliance Zero. Dessa forma, ele permanece entre os investigados no aprofundamento das apurações.
Além disso, documentos obtidos durante a investigação apontam que a BN Financeira, empresa ligada a Bonnie Bonilha, nora de Jaques Wagner, recebeu cerca de R$ 12 milhões do banco Master entre 2022 e 2025, conforme informações constantes da quebra de sigilo fiscal encaminhada à CPI do Crime Organizado.
O nome do senador também aparece na documentação como destinatário de aproximadamente R$ 289 mil. No entanto, Jaques Wagner declarou anteriormente que esses recursos correspondiam aos rendimentos de uma aplicação financeira mantida em conta no banco.
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Relação com Augusto Lima voltou ao centro das apurações
Em entrevistas concedidas após o surgimento do caso Master, Jaques Wagner afirmou que não temia eventual delação de Daniel Vorcaro. Além disso, confirmou que negociou com Augusto Lima a venda da antiga rede de supermercados estatais Cesta do Povo.
Segundo o parlamentar, essa negociação ocorreu antes de Augusto Lima se tornar sócio de Vorcaro no banco Master. Ainda assim, o processo aproximou o empresário do grupo político ligado ao PT da Bahia a partir de 2017.
Na época, Wagner participou da condução da privatização da antiga Ebal, estatal responsável pela administração da Cesta do Povo. Depois de alguns leilões sem interessados, houve mudanças no modelo de negócios da rede, incluindo a ampliação dos cartões de compra para serviços financeiros.
Por fim, a estatal acabou vendida por R$ 15 milhões para uma empresa que posteriormente transferiu o ativo para Augusto Lima. Até o momento, a assessoria de Jaques Wagner e a defesa do empresário foram procuradas para comentar a nova fase da operação, mas ainda não haviam se manifestado.
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