Hidrovia do São Francisco pode impulsionar agricultura familiar

Retomada da navegação pode reduzir custos e ampliar o escoamento da produção em municípios da Bahia e de outros estados.

Foto: Divulgação

A retomada da Hidrovia do São Francisco poderá beneficiar milhares de agricultores familiares e ampliar o transporte da produção agrícola no Nordeste e em Minas Gerais. O projeto, em estudo pelo Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) e pela Companhia das Docas do Estado da Bahia (Codeba), busca oferecer alternativas logísticas, reduzir custos e facilitar o acesso dos pequenos produtores a novos mercados.

Dados do Censo Agropecuário 2017, último levantamento disponibilizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontam que cinco municípios do corredor logístico concentram 10.628 estabelecimentos da agricultura familiar. Esse número representa 63,87% das 16.639 propriedades agropecuárias identificadas em Petrolina (PE), Juazeiro (BA), Ibotirama (BA), Sobradinho (BA) e Pirapora (MG).

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Agricultura familiar tem forte presença na região

Entre os municípios analisados, Petrolina lidera em número de estabelecimentos familiares, com 4.509 unidades, o equivalente a 64,25% do total local. Logo depois aparece Juazeiro, na Bahia, com 4.402 estabelecimentos, que representam 60,40% das propriedades agropecuárias do município. Além disso, as lavouras permanentes têm participação expressiva nas duas cidades.

Já Ibotirama apresenta a maior proporção de agricultura familiar entre os cinco municípios. São 1.185 estabelecimentos, correspondentes a 78,84% do total municipal. Nesse cenário, a pecuária e a criação de outros animais predominam nas atividades do campo, seguidas pelas lavouras temporárias.

Em Sobradinho, também na Bahia, a agricultura familiar reúne 351 estabelecimentos, o equivalente a 62,57% do total. Enquanto isso, Pirapora, em Minas Gerais, registra 181 unidades familiares, que representam 67,29% das propriedades agropecuárias locais. Dessa forma, os números demonstram a importância dos pequenos produtores para a economia do corredor do São Francisco.

Projeto busca reduzir custos de transporte

O ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, destacou que a reativação da hidrovia também precisa atender às necessidades dos pequenos produtores. Segundo ele, o objetivo é ampliar as opções de transporte, facilitar a chegada dos produtos a novos mercados e reduzir despesas logísticas. No entanto, para alcançar esse resultado, o projeto precisa criar condições para que agricultores familiares utilizem a infraestrutura hidroviária.

Além de fortalecer o transporte regional, a retomada da navegação poderá criar novas oportunidades de renda para produtores rurais da Bahia e de outros estados. Assim, a Hidrovia do São Francisco surge como uma alternativa estratégica para melhorar o escoamento agrícola, estimular a economia regional e ampliar a competitividade da produção familiar.

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