Alcolumbre envia ofício a si mesmo e libera R$ 379 milhões

Documento assinado pelo próprio presidente do Senado liberou recursos e gerou questionamentos sobre transparência.

Foto: Carlos Moura/Agência Senado

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), enviou um ofício a si próprio para autorizar a liberação de R$ 379 milhões em emendas parlamentares. O documento interno destravou recursos que estavam pendentes e incluiu repasses para obras e projetos ligados à bancada do Amapá, além de verbas destinadas a uma empresa associada a um suplente do senador.

Segundo informações divulgadas nesta sexta-feira (13/03/2026), o procedimento ocorreu dentro da estrutura administrativa do Senado. No entanto, a prática chamou atenção porque o próprio presidente da Casa encaminhou o documento e, ao mesmo tempo, autorizou a liberação das emendas.

Além disso, parte dos recursos contemplou contratos que envolvem uma empresa ligada ao segundo suplente do senador. A situação ampliou o debate sobre possíveis conflitos de interesse na destinação de verbas públicas.

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Entenda o motivo do ofício

De acordo com a justificativa apresentada, o ofício teria sido elaborado para cumprir um acordo firmado com o Supremo Tribunal Federal que exige a identificação do parlamentar responsável por cada indicação de emenda. Dessa forma, o documento registraria formalmente quem patrocinou os repasses.

Ainda assim, especialistas em direito público avaliam que o caso levanta dúvidas sobre governança e transparência. Isso porque o mesmo agente político aparece como autor do pedido e responsável pela autorização administrativa.

Enquanto isso, aliados do senador afirmam que o procedimento seguiu normas internas do Senado e não representa irregularidade. Segundo esse entendimento, o ofício apenas formalizou decisões que já estavam vinculadas às indicações da bancada.

Empresa ligada a suplente entra no radar

Outro ponto que ampliou a repercussão foi a destinação de recursos que envolvem empresa ligada ao segundo suplente de Alcolumbre. O caso ganhou destaque porque investigações da Polícia Federal já analisam movimentações financeiras do empresário em outros contratos públicos.

Ainda assim, o senador declarou que não possui relação com a atividade empresarial do suplente. O episódio, porém, reacendeu o debate nacional sobre o controle e a transparência na execução das emendas parlamentares.

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