
A Polícia Civil identificou um esquema criminoso em que integrantes do Comando Vermelho (CV) exploravam ilegalmente vagas de estacionamento no bairro do Rio Vermelho, em Salvador. Segundo as investigações, falsos flanelinhas usavam a atividade para obter lucro, monitorar a movimentação local e reforçar o domínio territorial da facção.
A proximidade com o Complexo do Nordeste de Amaralina facilitou a expansão da influência do CV no Rio Vermelho, um dos principais polos de lazer e vida noturna da capital baiana. Inscrições da facção em pontos estratégicos do bairro reforçam a presença do grupo, que também atua de forma discreta para manter o controle da área.
De acordo com o delegado Nilton Borba, titular da 28ª Delegacia Territorial, a cobrança ilegal por vagas era feita por integrantes ligados diretamente ao tráfico. Um dos suspeitos aparece em fotografia empunhando armas de grosso calibre ao lado de membros do CV do Nordeste de Amaralina.
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Três suspeitos foram presos durante a operação. Entre eles está o traficante conhecido como Adimanel, flagrado na imagem citada pela polícia. Já o líder do esquema, Carlos Alberto Santos Silva, o “Fumaça”, foi capturado no último dia 9, no próprio Rio Vermelho.
Segundo a Polícia Civil, o grupo também utilizava a atividade de flanelinha para justificar a presença constante na região e impedir o avanço de facções rivais. O bairro faz divisa com o Engenho Velho da Federação, área historicamente marcada por disputas entre o CV e o Bonde do Maluco (BDM).
Além disso, a investigação aponta que os falsos guardadores observavam o interior dos veículos para cometer furtos. A grande demanda por estacionamento, impulsionada por bares, restaurantes e eventos culturais, facilitava a ação criminosa, especialmente durante a noite.
Ainda conforme o delegado, o trio é responsável por mais de 45 arrombamentos de veículos registrados no segundo semestre de 2025. Cada integrante teria cometido, em média, 15 crimes, com revenda rápida de celulares e outros objetos furtados.
Apesar das prisões, policiais militares afirmam que a atuação criminosa tende a se repetir. Segundo eles, integrantes são retirados temporariamente do local, mas logo substituídos por outros, mantendo o esquema ativo.
Comerciantes e trabalhadores da região relatam sensação constante de insegurança. Na Rua do Meio e no entorno da Igreja de Sant’Ana, há denúncias de ameaças, furtos e pressão sobre guardadores cadastrados pela Prefeitura, inclusive em áreas da Zona Azul.
Desde que chegou à Bahia, em 2020, o Comando Vermelho ampliou sua atuação para além do tráfico de drogas. Em bairros como Cosme de Farias e Nordeste de Amaralina, a facção impõe taxas a comerciantes e prestadores de serviços, consolidando um modelo de controle criminoso cada vez mais amplo.
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