Réu muda versão sobre morte de Mãe Bernadete

No júri, confissão muda e defesa tenta enfraquecer acusação

Foto: Reprodução

No primeiro dia do júri, Arielson “Buzuim” afirmou que acusou o suposto mandante sob pressão policial, o que provocou forte reação da acusação e reacendeu o debate sobre a execução de Mãe Bernadete em Salvador.

O julgamento do caso Mãe Bernadete ganhou um novo rumo nesta terça-feira (14/04/2026). Durante depoimento no Fórum Ruy Barbosa, em Salvador, o réu confesso Arielson da Conceição dos Santos, conhecido como “Buzuim”, afirmou que policiais o torturaram para que ele apontasse Marílio dos Santos, o “Maquinista”, como mandante do crime. Com isso, a defesa tentou enfraquecer a principal linha da acusação.

Além disso, Buzuim declarou aos jurados que apenas repetiu o que os investigadores queriam ouvir no momento da prisão. Segundo ele, a confissão anterior ocorreu sob intensa pressão, o que, na nova estratégia, busca lançar dúvidas sobre a autoria intelectual do assassinato da líder quilombola.

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Acusação vê manobra da defesa

No entanto, a acusação reagiu imediatamente e classificou a mudança de versão como uma manobra desesperada. O advogado da família, Hédio Silva, sustentou que o depoimento surgiu de forma conveniente diante do Conselho de Sentença e reforçou a expectativa de condenação máxima para os envolvidos.

Enquanto isso, o júri segue mobilizando movimentos sociais, familiares e lideranças quilombolas que acompanham cada etapa do processo. O caso tem forte repercussão na Bahia e no país, principalmente pelo simbolismo da atuação de Mãe Bernadete na defesa dos direitos territoriais e humanos.

Por isso, a nova versão apresentada pelo réu deve se tornar um dos pontos centrais dos debates entre defesa e acusação. Ainda assim, o Ministério Público mantém a tese de que a execução foi planejada e teve mando definido, apesar da tentativa de descredibilizar a confissão inicial.

Reviravolta amplia tensão no tribunal

Dessa forma, a expectativa agora se concentra nos próximos depoimentos e na análise das provas já reunidas ao longo da investigação. A defesa pretende usar a alegação de tortura para fragilizar o elo entre os executores e o suposto mentor do crime.

Enquanto o julgamento avança, familiares de Mãe Bernadete cobram justiça e afirmam confiar na condenação dos acusados. Além disso, a reviravolta no plenário aumenta a tensão no tribunal e mantém o caso entre os assuntos mais repercutidos da Bahia Política nesta semana.

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