MST avalia enviar militantes à Venezuela em apoio a Maduro

MST avalia enviar militantes à Venezuela após ofensiva dos EUA e captura de Maduro. Esquerda brasileira debate protestos e atuação internacional.

Foto: Divulgação/MST BA

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) avalia o envio de militantes à Venezuela para participar de protestos em defesa do governo venezuelano, após a captura do presidente Nicolás Maduro. A discussão ocorre em meio à escalada de tensão envolvendo os Estados Unidos e o país vizinho.

A possibilidade de atuação direta foi debatida em uma reunião online que reuniu mais de 50 organizações da esquerda brasileira no último domingo (4/1). O encontro avaliou os desdobramentos políticos e diplomáticos após a ofensiva militar norte-americana contra a Venezuela.

Segundo relatos de participantes, o grupo reconheceu que o cenário ainda está em desenvolvimento e que não houve consenso sobre todos os pontos. Ainda assim, ficou definida a realização de manifestações em diversas capitais brasileiras nos próximos dias.

Grande parte dos atos deve ocorrer em frente a embaixadas e consulados dos Estados Unidos. As mobilizações também devem integrar a agenda de protestos prevista para o dia 8 de janeiro, ampliando o alcance nacional das ações.

Para Ceres Hadich, integrante da direção nacional do MST, o movimento mantém relações históricas de solidariedade com a Venezuela. Segundo ela, o envio de militantes não está descartado, caso a situação exija uma presença direta no país.

A dirigente afirmou que, neste primeiro momento, a prioridade é denunciar o que o MST classifica como sequestro do presidente venezuelano, além das mortes e da invasão atribuídas ao governo norte-americano. O movimento também destaca ações de cooperação na produção de alimentos para a população venezuelana.

Ceres Hadich elogiou ainda a posição da diplomacia brasileira e de países do BRICS, que reconheceram a vice-presidente Delcy Rodríguez como liderança legítima da Venezuela após a captura de Maduro.

Outra reunião virtual ocorreu na segunda-feira (5/1), reunindo partidos políticos, intelectuais e jornalistas ligados à esquerda. O encontro contou com representantes do PT, PSol e PCdoB, além de analistas políticos e diplomatas.

Durante o debate, surgiram divergências internas. Integrantes do PSol criticaram Maduro, a quem classificam como ditador, mas rejeitaram qualquer intervenção estrangeira para definir mudanças de poder em outro país.

Já o PT e organizações como o MST adotaram uma postura mais enfática em defesa de Maduro. Parte dos participantes defendeu que o foco das críticas deve recair sobre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enquanto outros priorizaram ataques à direita brasileira que apoia a ofensiva norte-americana.

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