Justiça da Itália nega extradição de Carla Zambelli e cita Moraes

Corte de Cassação apontou dúvidas sobre a imparcialidade do relator do caso no STF e rejeitou o pedido de extradição.

Foto: Arquivo/Lula Marques/Agência Brasil

A Justiça italiana negou o pedido de extradição da ex-deputada Carla Zambelli no caso da invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Além disso, a Corte de Cassação de Roma afirmou que encontrou elementos que levantam dúvidas sobre a imparcialidade do ministro Alexandre de Moraes.

O pedido analisado pela Justiça italiana trata da condenação imposta pelo Supremo Tribunal Federal (STF). No processo, Zambelli recebeu pena de 10 anos de prisão pela invasão aos sistemas eletrônicos do CNJ. No entanto, os magistrados italianos entenderam que existem pontos que precisam de análise mais cuidadosa.

Corte questiona atuação do relator

Segundo a decisão, Alexandre de Moraes exerceu funções diferentes durante o andamento do caso. Por isso, a Corte avaliou que houve dúvidas sobre a imparcialidade exigida para o julgamento. Além disso, destacou que o ministro também figurou como parte diretamente afetada pelos fatos investigados.

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Dessa forma, os magistrados concluíram que o acúmulo dessas atribuições comprometeu a percepção de independência judicial. Com esse entendimento, rejeitaram o pedido brasileiro de extradição referente ao caso do CNJ.

Outro processo segue em análise

Enquanto isso, Carla Zambelli continua respondendo a um segundo pedido de extradição na Itália. Esse procedimento envolve a condenação por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal. O episódio ocorreu após ela sacar um revólver e perseguir um jornalista nas ruas de São Paulo, em 2022.

Antes da decisão, Zambelli deixou o Brasil em julho de 2025. Primeiro, ela viajou para os Estados Unidos. Depois, seguiu para a Itália, país do qual possui cidadania. Ela chegou a ser presa, mas acabou libertada em maio de 2026 após a rejeição do primeiro pedido.

Por fim, o segundo processo continua em tramitação na Justiça italiana. Enquanto isso, o Supremo Tribunal Federal e o gabinete do ministro Alexandre de Moraes ainda não divulgaram manifestação oficial sobre a decisão.

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