
A Polícia Federal afirmou que o senador Ciro Nogueira recebeu repasses mensais do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que chegaram a R$ 500 mil. O parlamentar foi alvo de busca e apreensão nesta quinta-feira (7/05/2026), durante a quinta fase da Operação Compliance Zero.
Segundo a investigação, a relação entre o senador e o empresário ultrapassava uma amizade pessoal ou articulação política comum. Dessa forma, a PF aponta a existência de benefícios financeiros e patrimoniais ligados ao parlamentar.
Além disso, os investigadores citaram a aquisição de uma participação societária avaliada em cerca de R$ 13 milhões por apenas R$ 1 milhão. A apuração também menciona a cessão gratuita de um imóvel de alto padrão por tempo indeterminado.
Enquanto isso, a PF destacou o pagamento de hospedagens, viagens internacionais e outras despesas de elevado valor atribuídas ao grupo investigado. Os investigadores entendem que as vantagens oferecidas reforçam a suspeita de irregularidades.
Repasses e empresa investigada
De acordo com a Polícia Federal, os pagamentos eram realizados por meio da chamada “parceria BRGD/CNLF”. As operações financeiras, segundo a investigação, eram conduzidas por Felipe Cançado Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro.
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A sigla BRGD faz referência à empresa BRGD S.A., que tinha Oscar Vorcaro, pai de Felipe, como diretor. Já a CNLF Empreendimentos Imobiliários Ltda. era administrada formalmente por Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima, irmão de Ciro Nogueira, que também foi alvo da operação.
Em conversas interceptadas pela PF, Felipe Cançado mencionou pagamentos mensais de R$ 300 mil e, posteriormente, de R$ 500 mil. Além disso, os diálogos revelam preocupação com os valores considerados elevados.
Ainda segundo os investigadores, os repasses cresceram ao longo do período analisado. Por isso, a PF ampliou o foco da investigação sobre a origem e a finalidade das transferências financeiras.
Defesa nega irregularidades
A defesa de Ciro Nogueira repudiou qualquer suspeita de ilegalidade envolvendo a atuação do senador. Em nota, os advogados afirmaram que o parlamentar está à disposição da Justiça para colaborar com os esclarecimentos.
No entanto, a defesa criticou as medidas cautelares adotadas na investigação. Segundo os advogados, decisões invasivas baseadas apenas em trocas de mensagens entre terceiros exigem maior controle de legalidade.
Ainda assim, os defensores sustentam que Ciro Nogueira não participou de atividades ilícitas relacionadas aos fatos investigados pela Operação Compliance Zero. O caso segue sob apuração da Polícia Federal.
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