
O prefeito de Irará, Nássara de Chico, passou a ser investigado pelo Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia (TCM-BA) após denúncia de supostas irregularidades em contratos de manutenção da frota municipal. A representação aponta movimentações suspeitas que podem ultrapassar R$ 1,87 milhão.
A denúncia foi apresentada pelo Diretório Municipal do PT e também inclui secretários municipais e duas empresas contratadas pela Prefeitura: GPTV Aliança Soluções Automotivas e Empreendimentos LTDA e Nova Aliança Auto Service LTDA. Segundo o documento, os contratos envolveram recursos do Fundeb, Fundo Municipal de Saúde, Assistência Social e Fundo de Participação dos Municípios (FPM).
Além disso, os denunciantes afirmam que houve pagamentos sem comprovação documental no sistema do e-TCM. Um dos casos citados ocorreu em 1/09/2025, quando a gestão municipal teria pago R$ 34.630,12 à GPTV com recursos da Saúde, sem apresentar documentação correspondente.
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Recursos do Fundeb entram na mira
A representação também aponta possíveis irregularidades em serviços de manutenção de ônibus escolares custeados com verbas do Fundeb. Conforme a denúncia, notas fiscais apresentaram placas incompatíveis com os veículos cadastrados, incluindo motocicletas, reboques e automóveis de passeio.
Enquanto isso, o relatório detalha despesas consideradas excessivas entre junho e agosto de 2025. Nesse período, a Prefeitura teria desembolsado mais de R$ 720 mil em peças e serviços suspeitos de superfaturamento.
Os denunciantes ainda identificaram cobranças consideradas incompatíveis com a realidade do serviço prestado. Em alguns casos, oficinas registraram até 214 horas de manutenção mecânica em um único veículo. Além disso, uma nota fiscal indicou 49 horas de alinhamento de direção para apenas um ônibus escolar.
Peças trocadas em curto intervalo
Outro ponto destacado envolve a substituição frequente de peças mecânicas em períodos considerados incompatíveis com a vida útil normal dos componentes. Segundo a denúncia, alguns ônibus receberam troca de kit de embreagem, bomba d’água, baterias e peças da suspensão em menos de 90 dias.
Além disso, os autores da ação afirmam que a Prefeitura adquiriu peças de ar-condicionado para veículos que não possuem sistema de climatização. Ainda assim, os pagamentos teriam sido realizados normalmente pela gestão municipal.
Por fim, a denúncia sustenta que, a partir de novembro de 2025, as notas fiscais passaram a ser emitidas sem detalhamento dos serviços executados. Dessa forma, os valores cobrados por hora de trabalho passaram a seguir um padrão fixo e genérico entre as empresas investigadas. O caso segue sob análise do TCM-BA.
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