Vereador do PT é preso em operação contra PCC

Investigação aponta lavagem de dinheiro no transporte público de São Paulo

Foto: André Bueno/Rede Câmara SP

A Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo deflagraram, nesta quinta-feira (25/06/2026), a Operação Última Parada e prenderam cinco investigados por suposto envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC (Primeiro Comando da Capital). Entre os alvos está o vereador de São Paulo, Senival Moura (PT-SP), além de dirigentes e funcionários da empresa Transunião Transportes S.A.

A ação reúne equipes do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Além das prisões temporárias, os agentes cumprem 103 mandados de busca e apreensão em endereços da capital paulista, da Grande São Paulo e do município de Extrema, em Minas Gerais.

Segundo os investigadores, a apuração começou após o assassinato de Adauto Soares Jorge, então presidente da Transunião, em 2020. Desde então, as autoridades reuniram indícios de que a concessionária teria sido utilizada para movimentar recursos destinados à lavagem de dinheiro da facção criminosa.

Investigação aponta estrutura paralela

De acordo com o Ministério Público, a investigação identificou a existência de um núcleo paralelo que participava das decisões estratégicas da empresa. Além disso, esse grupo teria autorizado transferências financeiras para pessoas ligadas ao PCC. Ainda segundo a apuração, alterações societárias levantaram suspeitas após o capital social da empresa saltar de pouco mais de R$ 100 mil para mais de R$ 50 milhões sem comprovação clara da origem dos recursos.

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Entre os presos estão Jair Ramos de Freitas, conhecido como “Cachorrão”, apontado como diretor informal da companhia; Devanil de Souza Nascimento, o “Sapo”, motorista e homem de confiança do vereador; Lourival Monário, o “Orelha”, presidente da Transunião; e Leonel Moreira Martins, o “Cabeça Branca”, supervisor operacional da empresa.

Os investigadores destacam que a Transunião recebeu mais de R$ 300 milhões do sistema de transporte público paulistano apenas em 2025. Por isso, a operação busca interromper a movimentação financeira suspeita e aprofundar a análise das transações realizadas pela companhia.

Justiça bloqueia bens e afasta direção

A Justiça determinou o bloqueio de R$ 194 milhões em contas bancárias ligadas aos investigados. Além disso, autorizou o sequestro de 117 veículos, o bloqueio de 21 imóveis e a apreensão de três embarcações. Dessa forma, as autoridades pretendem impedir a ocultação de patrimônio durante o andamento das investigações.

Ainda como parte das medidas judiciais, os diretores da Transunião foram afastados de suas funções. Enquanto isso, a Prefeitura de São Paulo recebeu comunicação oficial para avaliar providências administrativas, regulatórias e contratuais, incluindo a possibilidade de intervenção na concessionária.

O Ministério Público afirma que o esquema investigado apresenta conexões com outras operações voltadas ao combate à lavagem de dinheiro do PCC, como Carbono Oculto, Vérnix e Mafiusi. Além disso, os investigadores relacionam o caso a estruturas financeiras já identificadas em investigações sobre tráfico internacional de drogas envolvendo a facção criminosa e a máfia italiana ‘Ndrangheta.

Até a publicação desta reportagem, a defesa do vereador Senival Moura não havia se manifestado sobre as acusações. O espaço segue aberto para posicionamentos dos citados na investigação.

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