Partidos fecham eleições no vermelho mesmo com fundão bilionário

Siglas acumulam déficits em anos de eleição e usam reservas para bancar campanhas.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Partidos políticos brasileiros encerraram os últimos anos eleitorais com mais despesas do que receitas, mesmo após receberem quase R$ 5 bilhões do Fundo Eleitoral. O levantamento feito com base nos balanços entregues ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostra que a maioria das siglas operou no vermelho em 2022 e 2024, período marcado pelas eleições gerais e municipais.

Em 2024, por exemplo, 19 dos 29 partidos que participaram das disputas municipais fecharam o ano com saldo negativo. Já em 2022, quando ocorreram as eleições presidenciais e estaduais, o número foi ainda maior: 24 legendas gastaram acima do que arrecadaram.

Além disso, dirigentes partidários admitem que utilizam recursos acumulados em anos sem eleição para reforçar as campanhas eleitorais. Dessa forma, as siglas conseguem ampliar os investimentos durante as disputas nas urnas.

O Partido Liberal (PL), legenda do ex-presidente Jair Bolsonaro, registrou o maior déficit de 2022. O partido declarou saldo negativo de R$ 78,7 milhões após a campanha presidencial. No entanto, em 2023, ano sem eleições, a sigla recuperou parte das perdas e fechou o período com superávit de R$ 54,6 milhões. Ainda assim, voltou ao vermelho em 2024, com déficit de R$ 22,6 milhões.

Enquanto isso, o PSDB também apresentou resultados negativos consecutivos. O partido gastou R$ 12,6 milhões acima da arrecadação em 2024 e outros R$ 1,6 milhão em 2022. Em contrapartida, registrou superávit tímido de apenas R$ 26 mil em 2023.

Fundo eleitoral segue no centro do debate

O PT também entrou na lista das legendas que fecharam contas negativas nos anos eleitorais. O partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva registrou déficit de R$ 5,1 milhões em 2022 e de R$ 2,1 milhões em 2024. Porém, em 2023, conseguiu superávit de R$ 10,3 milhões.

Siga agora nosso Instagram e fique por dentro das principais notícias.

Em nota, o PT afirmou que não houve prejuízo financeiro efetivo. Segundo a legenda, os números refletem apenas “variações contábeis ligadas ao Fundo Eleitoral”.

O Fundo Eleitoral, conhecido como fundão, distribuiu R$ 4,9 bilhões aos partidos em 2022 e 2024. Além disso, o mesmo valor está previsto para as eleições deste ano. Paralelamente, as siglas também recebem recursos do Fundo Partidário, utilizado para custear despesas administrativas e manutenção das estruturas partidárias.

Em 2025, o Fundo Partidário atingiu valor recorde de R$ 1,1 bilhão. Por isso, especialistas voltaram a discutir os critérios de distribuição e os limites de gastos das campanhas eleitorais.

Especialistas criticam aumento dos gastos

A diretora-executiva da Transparência Brasil, Juliana Sakai, afirmou que a principal preocupação não está no déficit em si, mas no crescimento contínuo das despesas eleitorais. Segundo ela, os custos aumentam a cada eleição sem que exista um teto mais rígido para controlar os gastos.

Além disso, a cientista política Marcela Machado, professora do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), explicou que muitos partidos tratam os déficits como investimento político. Segundo a especialista, ampliar bancadas no Congresso pode garantir fatias maiores do fundo eleitoral nas próximas eleições.

Por outro lado, o presidente do Solidariedade, deputado Paulinho da Força (SP), defendeu a estratégia das siglas. De acordo com ele, partidos políticos não funcionam como empresas privadas. Por isso, gastar mais durante o período eleitoral não significa necessariamente desequilíbrio financeiro.

Faça parte do Grupo Bahia Política no WhatsApp, se preferir entre em nosso canal no Telegram. Ouça também a nossa Rádio Bahia Política.

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será divulgado.


*