
O candidato à Presidência da República Renan Santos (Missão) defendeu, em entrevista na quarta-feira (26/8/2026), que o Brasil discuta a criação de uma “bomba atômica”. Segundo ele, o país precisaria fortalecer sua soberania militar para se proteger de possíveis invasões motivadas pela disputa por riquezas naturais, como as terras raras.
Durante entrevista à TV Globo, Renan afirmou que o Brasil precisaria ampliar sua capacidade de defesa caso queira ocupar posição entre as maiores potências do mundo. Além disso, o candidato argumentou que o país deveria buscar maior autonomia sobre seu território e sua estrutura militar.
“Se o Brasil quiser sentar com EUA, Rússia, Índia e China, tem que ter soberania sobre o próprio território”, afirmou o candidato ao defender o debate sobre armamento nuclear.
No entanto, a proposta esbarra em compromissos internacionais assumidos pelo Brasil e também em restrições previstas na legislação brasileira. Ainda assim, Renan declarou que não se preocuparia com a quebra de acordos internacionais caso considerasse necessário fortalecer a soberania nacional.
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Terras raras entram no argumento
Ao justificar sua posição, o candidato citou a importância estratégica das terras raras. Segundo Renan, a posição brasileira nesse mercado poderia aumentar o peso do país nas relações internacionais e, dessa forma, fortalecer sua capacidade de negociação com grandes potências.
Além disso, ele afirmou que os Estados Unidos possuem interesse estratégico nesses recursos, enquanto o Brasil aparece entre os países com grandes reservas. Por isso, Renan argumentou que o país deveria adotar uma postura mais firme para proteger suas riquezas naturais e seu território.
A defesa da criação de armas nucleares, entretanto, contraria o compromisso brasileiro com o regime internacional de não proliferação. O Brasil é signatário do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares e mantém, além disso, cooperação com a Argentina por meio da Agência Brasileiro-Argentina de Contabilidade e Controle de Materiais Nucleares (ABACC).
Constituição impõe restrições
A legislação brasileira também estabelece limites para atividades nucleares. O texto constitucional prevê que toda atividade nuclear em território nacional deve atender exclusivamente a fins pacíficos, mediante aprovação do Congresso Nacional, o que coloca a defesa de um arsenal nuclear em choque com o atual ordenamento jurídico.
Dessa forma, uma eventual mudança de posição exigiria amplo debate político, jurídico e diplomático. Enquanto isso, a declaração de Renan Santos coloca o tema da soberania militar e das armas nucleares no centro do debate eleitoral de 2026, especialmente diante da disputa internacional por recursos estratégicos.
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