Bahia esclarece só 14% dos homicídios

Estado tem o segundo pior índice de elucidação do Brasil, aponta estudo.

Foto: Reprodução

A Bahia esclareceu apenas 14% dos homicídios registrados entre 2020 e 2023, segundo o estudo Diagnóstico sobre a Investigação de Homicídios no Brasil, divulgado pelo Instituto Sou da Paz na quarta-feira (8/07/2026). O índice coloca o estado com a segunda pior taxa de elucidação do país, atrás apenas do Rio Grande do Norte, e reforça os desafios da segurança pública baiana.

Além disso, o levantamento destaca que somente 14% dos assassinatos resultaram em denúncias apresentadas pelo Ministério Público. Dessa forma, milhares de famílias continuam sem respostas sobre crimes cometidos nos últimos anos, enquanto a impunidade segue como um dos principais obstáculos para reduzir a violência.

Um dos casos mais conhecidos permanece sem solução. Em 11/12/2022, Rodrigo da Silva Santos, conhecido como “DG Rifas”, e sua esposa, Hynara Santa Rosa da Silva, a “Naroka”, foram assassinados dentro de um condomínio em Barra de Jacuípe. Apesar da grande repercussão nacional e das investigações realizadas pela Polícia Civil, o crime ainda não teve um desfecho.

Outro episódio citado pelo estudo envolve o estudante Micael Silva Menezes, de 11 anos. O menino morreu após ser baleado durante uma operação da Polícia Militar no Vale das Pedrinhas, em Salvador, em 14/06/2020. Ainda assim, o inquérito acabou arquivado por falta de provas depois que testemunhas deixaram de prestar depoimento por medo de represálias.

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Bahia lidera mortes violentas

Enquanto enfrenta dificuldades para esclarecer homicídios, a Bahia também lidera o número absoluto de Mortes Violentas Intencionais (MVI) no país. Em 2023, o estado registrou 6.578 ocorrências, superando unidades da federação mais populosas, como Rio de Janeiro, Pernambuco e São Paulo.

Além do elevado número de mortes, a taxa chegou a 46,5 homicídios por 100 mil habitantes, a segunda maior do Brasil. Segundo os pesquisadores, esse cenário aumenta a pressão sobre as forças policiais e dificulta a coleta de provas, a identificação dos autores e a conclusão das investigações.

Outro fator que agrava o problema é o uso de armas de fogo. Na Bahia, 83% dos homicídios ocorreram com esse tipo de armamento. Por isso, os investigadores enfrentam mais dificuldades, já que muitos crimes acontecem em ataques rápidos, com poucas testemunhas e participação de vários criminosos.

A pesquisa também mostra que a violência atinge principalmente os jovens. Em 2023, a taxa de homicídios entre pessoas de 15 a 29 anos chegou a 113,7 mortes por 100 mil habitantes, mais que o dobro da média nacional. Enquanto isso, especialistas alertam que a presença de facções criminosas amplia o risco de recrutamento dessa população.

Letalidade policial e avanço das facções

O estudo ainda aponta que a Bahia registrou uma das maiores taxas de mortes decorrentes de intervenção policial do país. Ao todo, 25,8% das mortes violentas ocorreram durante ações das forças de segurança, percentual muito acima da média nacional de 13,8%.

Por fim, os pesquisadores relacionam a baixa elucidação dos homicídios ao fortalecimento das facções criminosas e às disputas por território. Segundo o levantamento, esse contexto reduz a quantidade de testemunhas, dificulta a produção de provas e torna mais complexa a responsabilização dos autores dos crimes.

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