Vorcaro diz ter pago R$ 30 milhões por filme sobre Lula

Segundo a revista Veja, banqueiro relatou supostos pagamentos ao Instituto Lula e negociações com fundos de pensão; presidente nega irregularidades.

Foto: Reprodução

O banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, afirmou ter destinado R$ 30 milhões em espécie ao Instituto Lula para financiar um documentário sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A informação foi publicada pela revista Veja nesta sexta-feira (9/10/2026), com base em áudios e documentos atribuídos ao empresário.

Segundo a reportagem, Vorcaro apresentou os relatos durante tentativas de negociar um acordo de colaboração com as autoridades. Além disso, ele teria mencionado pagamentos a intermediários e supostas articulações para facilitar investimentos de fundos de pensão de empresas estatais no Banco Master.

As declarações, no entanto, representam a versão do banqueiro e não comprovam, por si só, a ocorrência dos pagamentos ou o envolvimento dos agentes públicos citados. Lula negou ter solicitado ou recebido vantagens financeiras, enquanto integrantes do governo também rejeitaram as acusações.

Siga agora nosso Instagram e fique por dentro das principais notícias.

Supostos pagamentos e fundos de pensão

De acordo com a Veja, as negociações teriam começado por intermédio de Augusto Lima, então sócio de Vorcaro, que teria estabelecido contato com João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT. A aproximação, segundo o relato, contou com a participação de integrantes do partido na Bahia.

Vorcaro afirmou que Vaccari teria solicitado cerca de R$ 30 milhões para financiar um documentário sobre Lula, com entrega dos recursos ao Instituto Lula, administrado por Paulo Okamotto. Além disso, o banqueiro relatou uma suposta cobrança de comissão de 10% sobre os investimentos que o Master conseguisse captar junto aos fundos Previ, Petros e Postalis.

A reportagem relaciona o relato ao documentário Lula, dirigido pelo cineasta Oliver Stone. Em áudios reproduzidos pela revista, Vorcaro teria comparado o financiamento dessa produção ao patrocínio de Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro. Segundo ele, o suposto pagamento relacionado ao documentário sobre Lula teria ocorrido de maneira irregular.

Ainda conforme a publicação, as negociações envolveram pessoas ligadas a Alexandre Padilha, que comandava a Secretaria de Relações Institucionais da Presidência. Vorcaro citou Olavo Noleto, então secretário-executivo da pasta, e um operador identificado como Júlio. O banqueiro também relatou encontros com Padilha e mencionou uma transferência de R$ 500 mil ao operador, que, segundo sua versão, estaria relacionada às tratativas.

O Banco Master entrou na chamada lista exaustiva, que reúne instituições autorizadas a receber investimentos de fundos de previdência de estatais, em 29/4/2024. Apesar disso, Vorcaro afirmou que não conseguiu concretizar as operações pretendidas com os principais fundos federais. Uma tentativa de captar R$ 500 milhões junto à Caixa Econômica Federal teria sido interrompida em julho de 2024.

Encontro com Lula e negativas

A Veja também relatou que mensagens encontradas pela Polícia Federal indicariam tentativas de organizar uma reunião entre Vorcaro e Lula em outubro de 2024. No entanto, a própria reportagem ressalta que não encontrou provas de que esse encontro tenha ocorrido. O encontro confirmado no Palácio do Planalto aconteceu em 4/12/2024, quando o banqueiro conversou com Marco Aurélio Santana, conhecido como Marcola, então chefe de gabinete da Presidência.

Procurado pela revista, Lula afirmou que nunca solicitou ou recebeu vantagens financeiras de Vorcaro e que não autorizou terceiros a receber dinheiro em seu nome. Da mesma forma, Padilha negou relação com o banqueiro, enquanto Noleto afirmou não ter mantido relação com ele nem recebido recursos.

Segundo a publicação, a Procuradoria-Geral da República não deu andamento ao relato apresentado pelo empresário por considerar insuficientes os elementos disponíveis em uma das versões apresentadas. Ainda assim, a defesa de Vorcaro sustenta que existem mensagens, registros de entregas e outros elementos que poderiam respaldar suas declarações. Até o momento, as informações divulgadas não comprovam que Lula tenha recebido os valores mencionados ou participado do suposto esquema.

Faça parte do Grupo Bahia Política no WhatsApp, se preferir entre em nosso canal no Telegram. Ouça também a nossa Rádio Bahia Política.

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será divulgado.


*