Alcolumbre adia fim da escala 6×1 no Senado

PEC foi aprovada na CCJ, mas votação no plenário deve ocorrer somente após o primeiro turno das eleições.

Foto: Carlos Moura/Agência Senado

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), decidiu deixar para depois do primeiro turno das eleições a votação da PEC que prevê o fim da escala 6×1. A proposta avançou na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), mas ainda precisa passar pelo plenário.

Nos bastidores, integrantes do governo Lula já admitem que a votação não deve ocorrer antes do primeiro turno, marcado para 4/10/2026. No entanto, oficialmente, o Planalto ainda tenta convencer Alcolumbre a pautar o texto nesta quinta-feira (3/9).

O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, afirmou que o governo ainda trabalha pela votação. Segundo ele, existe tempo para negociar com o presidente do Senado. Ainda assim, senadores governistas reconhecem que a resistência aumentou nos últimos dias.

Governo tenta manter acordo com Alcolumbre

A líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), explicou que o acordo firmado com Alcolumbre não previa necessariamente a votação da PEC no plenário. O entendimento envolvia, sobretudo, o avanço de matérias consideradas prioritárias pelo governo.

Além disso, o Senado aprovou a proposta sobre minerais críticos, que prevê R$ 5 bilhões em subsídios para o setor. A chamada “taxa das blusinhas” também avançou, mas ficou para análise nesta quinta-feira. Enquanto isso, a PEC da Segurança Pública passou pela CCJ, porém também deve ficar para depois da eleição.

A PEC da escala 6×1 precisa de 49 votos entre os 81 senadores, em dois turnos de votação. Dessa forma, qualquer tentativa de acelerar a tramitação dependeria de um acordo entre os líderes. O governo, por isso, avalia preservar a relação com Alcolumbre.

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Votação pode virar estratégia eleitoral

Apesar do adiamento, aliados do presidente Lula acreditam que a votação próxima do segundo turno pode favorecer o petista. A estratégia considera uma eventual disputa contra o senador Flávio Bolsonaro (PL). O parlamentar, entretanto, ainda não apresentou posição pública sobre o fim da escala 6×1.

Por outro lado, o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio, defende uma proposta alternativa. O texto prevê maior liberdade para patrões e empregados negociarem o pagamento por hora trabalhada. Assim, a oposição pressiona para evitar a votação da PEC antes das eleições.

A aprovação na CCJ ocorreu de forma simbólica e não registrou individualmente os votos dos senadores. Ainda assim, apenas quatro parlamentares se posicionaram contra a proposta. Com a proximidade do pleito, governistas avaliam que o tema ganhou forte peso eleitoral. Portanto, a votação no plenário poderá se transformar em uma disputa política relevante.

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