Gordura no fígado não é normal e exige atenção

Doença pode avançar silenciosamente e causar cirrose e câncer de fígado

Foto: IA

A gordura no fígado é comum, mas não deve ser tratada como uma condição normal. Conhecida atualmente como doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica (MASLD), ela atinge cerca de 30% da população mundial. Além disso, pode avançar durante anos sem apresentar sintomas e provocar complicações graves.

Na maioria dos casos, médicos identificam o problema durante exames de rotina. Uma ultrassonografia pode revelar o acúmulo de gordura, enquanto exames de sangue podem apontar alterações nas enzimas hepáticas. No entanto, como muitos pacientes não sentem sintomas, parte deles acaba não dando a atenção necessária ao diagnóstico.

Doença pode avançar silenciosamente

Ao contrário de uma ideia comum, a gordura não forma uma camada ao redor do fígado. Ela se acumula dentro das células hepáticas e pode desencadear inflamação. Dessa forma, o quadro pode evoluir para esteato-hepatite e, posteriormente, provocar fibrose, que corresponde à formação de cicatrizes no órgão.

Com o avanço da doença, aumentam os riscos de cirrose, carcinoma hepatocelular e até necessidade de transplante. A hepatologista Dra. Nilma Lucia Sampaio Ruffeil destaca, por isso, a importância de avaliar a gravidade após o diagnóstico. Atualmente, exames como a elastografia hepática ajudam a medir a fibrose sem procedimentos invasivos e reduziram a necessidade de biópsias.

A MASLD também apresenta forte relação com alterações metabólicas. Segundo os dados apresentados pela especialista, a obesidade aparece em cerca de 70% dos casos, enquanto o diabetes tipo 2 está associado a aproximadamente 75%. Além disso, alterações no colesterol e nos triglicerídeos também aparecem com frequência entre os pacientes.

Siga agora nosso Instagram e fique por dentro das principais notícias.

Mudanças podem ajudar na recuperação

Apesar dos riscos, as fases iniciais podem ser controladas e até revertidas. Uma redução entre 5% e 10% do peso corporal pode melhorar significativamente o acúmulo de gordura e a inflamação hepática. Por isso, alimentação equilibrada e atividade física regular formam a base do tratamento.

Entre as medidas recomendadas estão reduzir alimentos ultraprocessados, refrigerantes e bebidas açucaradas. Além disso, a alimentação deve priorizar frutas, verduras, legumes, alimentos integrais e fontes adequadas de proteínas. Exercícios aeróbicos e treinos de resistência também oferecem benefícios, enquanto reduzir ou evitar o consumo de álcool ajuda a proteger o fígado.

Em alguns casos, médicos podem avaliar tratamentos medicamentosos de acordo com o perfil do paciente. Ainda assim, o acompanhamento profissional continua essencial para definir a estratégia adequada. A principal orientação permanece clara: gordura no fígado é frequente, porém não é normal. Portanto, quem recebeu o diagnóstico ou apresenta fatores de risco deve procurar avaliação médica e acompanhar a saúde do fígado.

Faça parte do Grupo Bahia Política no WhatsApp, se preferir entre em nosso canal no Telegram. Ouça também a nossa Rádio Bahia Política.

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será divulgado.


*