PF prende Márcio Canella em operação no RJ

Segundo deputado estadual mais votado do Rio, político é suspeito de envolvimento em esquema de lavagem de dinheiro com postos de combustíveis.

Foto: Rafael Wallace/Alerj

A Polícia Federal (PF) prendeu, nesta quinta-feira (15/10/2026), o deputado estadual Márcio Canella (União Brasil) e Marcus Vinicius Amim Fernandes, ex-secretário de Polícia Civil do Rio de Janeiro. Os agentes realizaram a ação durante a oitava fase da Operação Unha e Carne, que investiga uma organização criminosa suspeita de lavar dinheiro por meio de postos de combustíveis.

Segundo a PF, o grupo teria movimentado mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos. Além disso, a Justiça determinou o bloqueio de bens e valores e a suspensão das atividades de 112 empresas ligadas aos investigados. Desse total, 96 são postos de combustíveis que, conforme as apurações, serviriam para ocultar recursos de origem criminosa.

Durante a operação, os agentes cumpriram seis mandados de prisão preventiva e 16 mandados de busca e apreensão. As equipes atuaram em sete municípios fluminenses: Rio de Janeiro, Niterói, Angra dos Reis, Petrópolis, Armação dos Búzios, Nova Iguaçu e São Gonçalo. Além de Canella e Amim, os policiais prenderam outros quatro investigados.

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Investigação apura esquema bilionário

De acordo com a Polícia Federal, o grupo teria contado com a participação de agentes públicos e articulação político-institucional. Nesse sentido, os investigadores apuram como os envolvidos movimentavam valores bilionários e ocultavam a origem do dinheiro. Por isso, a Justiça também determinou medidas patrimoniais contra empresas relacionadas ao caso.

Márcio Canella foi prefeito de Belford Roxo e conquistou a segunda maior votação para deputado estadual no Rio de Janeiro nas eleições de 4/10/2026. Ao todo, ele recebeu 197.178 votos, o equivalente a 2,24% dos votos válidos no estado. Agora, a nova prisão acrescenta outro capítulo às investigações que já envolviam o político.

Em julho, agentes federais prenderam Canella em flagrante após encontrarem um fuzil calibre 5,56 no veículo em que ele estava. Na ocasião, o político afirmou que a arma pertencia ao policial militar responsável por sua segurança. Três dias depois, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou sua soltura, mas impôs medidas cautelares, como tornozeleira eletrônica, entrega do passaporte e suspensão do porte de arma.

Operação investiga agentes públicos

A Operação Unha e Carne também apura a participação de outros agentes públicos e políticos. Conforme as responsabilidades individuais, os investigados poderão responder por lavagem de dinheiro, organização criminosa armada, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, venda ilegal de combustíveis e formação de cartel. Entretanto, a investigação ainda precisa esclarecer a conduta de cada suspeito.

Em nota, a Corregedoria-Geral de Polícia Civil informou que apoia a Polícia Federal na operação e declarou que não compactua com desvios de conduta. Enquanto isso, o Bahia Política procurou a Prefeitura de Belford Roxo e tenta contato com as defesas dos investigados. O portal mantém o espaço aberto para manifestações.

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