Atividade física pode reduzir risco de câncer de próstata

Pesquisa aponta associação entre condicionamento físico e menor risco da doença; especialista destaca a importância dos exercícios e do acompanhamento médico.

Foto: Reprodução/Magnific

A prática regular de atividade física pode contribuir para reduzir o risco de câncer de próstata, segundo pesquisas científicas. Estudos apontam que homens com melhores níveis de condicionamento cardiorrespiratório apresentam resultados mais favoráveis. Durante o Novembro Azul, o profissional de Educação Física Jauan Anselmo reforça a importância dos exercícios para a saúde masculina, sem substituir consultas e exames médicos.

O alerta ganha importância diante das estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), que prevê 77.920 novos casos da doença por ano no Brasil entre 2026 e 2028. Esse número representa aproximadamente 30,5% dos novos diagnósticos de câncer entre homens, excluindo os tumores de pele não melanoma. Por isso, informação, prevenção e acompanhamento profissional continuam fundamentais.

Segundo Jauan, os exercícios ajudam a melhorar o condicionamento cardiorrespiratório, fortalecer os músculos e controlar o peso corporal. Além disso, a prática regular contribui para o equilíbrio metabólico e a regulação de processos inflamatórios. No entanto, o especialista ressalta que a atividade física não garante proteção contra o câncer. “Treinar é uma estratégia de fortalecimento do organismo, mas não substitui consulta, avaliação ou exames médicos”, explica.

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Estudos destacam benefícios do condicionamento físico

Uma pesquisa publicada no British Journal of Sports Medicine acompanhou 57.652 homens suecos submetidos a avaliações de condicionamento físico em bicicletas ergométricas. Durante o estudo, 592 participantes desenvolveram câncer de próstata. Os pesquisadores identificaram que homens que aumentaram em mais de 3% a capacidade cardiorrespiratória apresentaram risco 35% menor de desenvolver a doença. Entretanto, o levantamento não encontrou associação significativa com a mortalidade pelo câncer.

Outra revisão científica, publicada na revista Medicine & Science in Sports & Exercise, analisou estudos sobre atividade física e câncer. Entre os resultados, homens diagnosticados com câncer de próstata e fisicamente mais ativos apresentaram associação com redução de até 49% na mortalidade geral e 38% na mortalidade específica pela doença. Ainda assim, os pesquisadores destacam que os resultados são observacionais e não comprovam que os exercícios, isoladamente, determinem a evolução do câncer.

Além dos benefícios cardiovasculares, o especialista chama a atenção para o papel da musculatura no funcionamento do organismo. Durante a contração muscular, o corpo libera substâncias chamadas miocinas, que participam da comunicação entre os músculos e outros órgãos. Dessa forma, a atividade física contribui para processos metabólicos e inflamatórios importantes para a saúde.

Exercícios também ajudam durante o tratamento

A atividade física também pode beneficiar homens que já receberam o diagnóstico de câncer de próstata. Durante tratamentos como quimioterapia e radioterapia, muitos pacientes enfrentam fadiga, perda de força e dificuldades para realizar tarefas cotidianas. Nesse cenário, diretrizes da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO) recomendam exercícios aeróbicos e de resistência, quando houver indicação clínica, para ajudar a reduzir os efeitos adversos do tratamento.

No entanto, pacientes oncológicos precisam de acompanhamento individualizado. Jauan explica que o profissional de Educação Física deve considerar o tipo de câncer, a fase do tratamento, os efeitos colaterais e as limitações de cada pessoa. Além disso, o planejamento precisa respeitar as orientações da equipe médica. “O objetivo pode ser desenvolver força, preservar a funcionalidade ou ajudar o paciente a manter sua autonomia”, destaca.

Por fim, o especialista reforça que homens fisicamente ativos também precisam cuidar da saúde de maneira completa. A prática de exercícios não elimina o risco de câncer de próstata nem substitui consultas, exames e avaliações médicas. Portanto, neste Novembro Azul, a orientação é combinar atividade física, alimentação equilibrada e acompanhamento profissional. A atenção aos fatores de risco, como idade e histórico familiar, também merece destaque.

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