Cesta básica em Camaçari consome 10 dias de trabalho

Debate do CNCast expõe inflação, dívidas e desigualdade social em Camaçari

Foto: Divulgação/CN1

O aumento da cesta básica em Camaçari e o avanço do endividamento das famílias dominaram o debate do CNCast transmitido na terça-feira (12/05/2026). Durante o programa apresentado por Gisa Conceição, especialistas alertaram para os impactos da inflação dos alimentos e da desigualdade social no cotidiano da população. Além disso, o episódio reuniu análises econômicas e sociais sobre o custo de vida no município.

Segundo a economista Amanda Maria, coordenadora do projeto Cesta Básica em Foco, da UNEB, a cesta básica em Camaçari chegou a R$ 624,34 em março de 2026. O valor representa alta de 8,15% em relação ao mês anterior. Por isso, o trabalhador da cidade precisa dedicar cerca de 10 dias de trabalho apenas para comprar itens essenciais de alimentação. Entre os produtos que mais pressionaram o orçamento estão tomate, banana e pão francês.

Inflação e dívidas preocupam famílias

Amanda Maria explicou que fatores como entressafra, excesso de chuvas, dificuldades logísticas e redução da oferta elevaram os preços dos alimentos. Enquanto isso, o custo de vida continua distante da renda média da população. De acordo com a economista, uma família de quatro pessoas precisaria receber mais de R$ 5,2 mil por mês para manter condições mínimas de sobrevivência em Camaçari.

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Além disso, o programa destacou o crescimento do endividamento familiar. Dados da Confederação Nacional do Comércio (CNC) apontam que cerca de 80% das famílias brasileiras possuem algum tipo de dívida. Dessa forma, muitas pessoas passaram a utilizar cartão de crédito e cheque especial até mesmo para comprar alimentos. Amanda afirmou que o crédito fácil, aliado à taxa Selic elevada, agrava ainda mais o comprometimento da renda familiar.

Desigualdade histórica amplia impactos sociais

A socióloga Rita Brito relacionou a atual crise econômica à própria formação urbana e social de Camaçari. Segundo a pesquisadora, apesar de sediar um dos maiores polos industriais do país, o município não concentra os principais benefícios econômicos gerados pela atividade industrial. Ainda assim, a cidade absorve os impactos sociais e urbanos provocados pelo crescimento econômico desigual.

Rita também relembrou estudos sobre exclusão social e afirmou que a desigualdade atual possui raízes históricas profundas. Durante o debate, ela associou o tema ao 13 de Maio, destacando que a população negra permaneceu sem acesso à terra, educação e trabalho digno após a abolição da escravidão. No encerramento, Gisa Conceição reforçou a importância da informação econômica e social para transformar a realidade da população de Camaçari.

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