PF aponta código de R$ 2,45 milhões em imóvel ligado a Wagner

Investigação relaciona mensagens cifradas à negociação de apartamento em Salvador.

Foto: Carlos Moura/Agência Senado

A Polícia Federal identificou mensagens que podem indicar linguagem cifrada em uma negociação de imóvel ligada ao senador Jaques Wagner (PT-BA). Segundo a investigação, o apartamento custaria R$ 2,45 milhões.

Inicialmente, os investigadores encontraram uma conversa entre Daniel Lopes Monteiro e Guilherme Henrique Sodré Martins, conhecido como “Tio Guiga”. A PF aponta Monteiro como operador jurídico-financeiro ligado ao Banco Master.

Na conversa, Monteiro escreveu: “A altura do vão é 2,45m”. Logo depois, Sodré respondeu: “Perfeito”. Para a PF, os interlocutores podem ter usado a expressão para esconder o verdadeiro assunto da conversa.

Além disso, os investigadores relacionaram a mensagem ao apartamento do empreendimento Poemè Horto. O imóvel fica no Horto Florestal, em Salvador. A Moura Dubeux construiu o empreendimento, que inclui a unidade avaliada em R$ 2,45 milhões.

A investigação também encontrou conversas entre Wagner e Augusto Ferreira Lima. Ele comandava o Banco Pleno e mantinha uma antiga sociedade com Daniel Vorcaro. Em novembro de 2024, Wagner teria enviado ao executivo o contato de um gerente da Moura Dubeux.

Negociação avançou após prisão de Vorcaro

Enquanto isso, os envolvidos continuaram as tratativas mesmo depois da prisão de Daniel Vorcaro. A Polícia Federal prendeu o ex-banqueiro em novembro de 2025, durante a primeira fase da Operação Compliance Zero.

Segundo a PF, os participantes passaram a adotar mais cautela nas comunicações. Além disso, Daniel Monteiro e Guilherme Sodré realizaram videoconferências e marcaram reuniões presenciaenciais. Para os investigadores, essa estratégia dificultaria o acesso ao conteúdo das conversas.

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Em fevereiro de 2026, os intermediários retomaram os detalhes da negociação. Na ocasião, eles trocaram uma minuta do contrato de compra do apartamento. Também discutiram mudanças nos itens de acabamento da unidade.

Ainda segundo a investigação, algumas alterações aumentariam o valor do imóvel em R$ 20 mil. Por isso, a PF incluiu essas tratativas entre os elementos analisados no caso. A corporação também aponta que os envolvidos retomaram os contatos poucos dias após a operação.

PF cita possível vantagem indevida

De acordo com a Polícia Federal, Wagner teria solicitado o apartamento a Augusto Ferreira Lima como uma possível “vantagem indevida”. A PF apresentou essa hipótese no relatório que reúne os elementos da investigação.

No entanto, a apuração ainda não terminou. Portanto, as suspeitas apresentadas pela Polícia Federal não significam condenação definitiva contra o senador.

O relatório da PF ganhou publicidade após a retirada do sigilo de documentos do caso Banco Master. O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, determinou a medida. Dessa forma, novos detalhes da investigação chegaram ao conhecimento público.

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